sábado, 26 de março de 2011

O pulo do Touro

Como não pode deixar de ser, o assunto tem que ser o desempenho miraculoso da Red Bull, que simplesmente ignoraram os rivais. Ou melhor: ignorou, no singular, já que apenas Sebastian Vettel conseguiu uma volta de outro mundo. Aliás, esse alemãozinho de apenas 23 anos está fazendo de tudo para se tornar um dos maiores da História.

Heresia? Nem um pouco. O garotão com cara de bobo já tem nada menos que dez vitórias e incríveis 16 poles, tendo completado apenas quatro temporadas na categoria. Schumacher que se cuide, pois se tem alguém que pode bater seus números, esse alguém é Vettel.

Voltando ao assunto, o atual campeão do mundo cravou uma espantosa volta de 1:23.529, quase 9 décimos à frente de Lewis Hamilton, da McLaren, que ficou em segundo. Como não podia deixar de ser, já circulam no paddock duas teorias para explicar a enorme diferença de performance entre os Touros Vermelhos e a concorrência.

A primeira é de pura e simples falcatrua e não vem de hoje.


AFP

Repare bem na imagem. A asa dianteira do RBR fica ligeiramente inclinada nas extremidades, o que dá um ganho aerodinâmico ao carro. Desde o ano passado os demais chefes de equipe acusam o carro da Red Bull de ter uma asa dianteira móvel, mas os testes da FIA (Federação Internacional de Automobilismo) jamais detectaram qualquer anormalidade, para o choro dos concorrentes.

A outra, bem mais plausível, a meu ver, é mais uma sacada de gênio do projetista Adrian Newey, "pai" de alguns dos melhores carros da História. Ao contrário das outras equipes, a Red Bull não usaria um sistema KERS (sigla para Sistema de Recuperação de Energia Cinética, em inglês) convencional. A engenhoca, que usa parte da energia gerada nas frenagens para alimentar baterias, consegue gerar uma considerável potência extra por alguns segundos, mas acarreta em um desafio para projetistas, já que altera o peso e o centro de massa do carro.

Segundo algumas especulações, Newey teria criado uma versão light do KERS, usada apenas nas largadas, que garantiria uma vantagem de 7 metros aos seus pilotos ao chegar na primeira curva. Com isso, o carro se torna mais equilibrado e se tornaria virtualmente impossível ultrapassar um RBR em condições normais de largada.

Certamente a FIA vai se manifestar nos próximos dias, mas a tendência, considerando o histórico de benevolência da entidade máxima do esporte, é que tudo acabe em pizza, para o azar dos rivais, que vão ter que virar noites em suas fábricas para reproduzir o pulo do gato de Newey. Ou o pulo do Touro.

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